“Aquisições não tem nada a ver com dinheiro; e sim com visão estratégica”. Era o que o mestre Peter Drucker recomendava a todos que o procuravam na busca de orientação, para processos de fusões e aquisições. Diante de um cenário econômico turbulento, as fusões e aquisições podem ser uma salvação. Mas o processo precisa ser...
“Aquisições não tem nada a ver com dinheiro; e sim com visão estratégica”. Era o que o mestre Peter Drucker recomendava a todos que o procuravam na busca de orientação, para processos de fusões e aquisições.
Diante de um cenário econômico turbulento, as fusões e aquisições podem ser uma salvação. Mas o processo precisa ser bem orientado e bem conduzido para ser eficiente e dar bons resultados.
Confira, em nosso artigo, os que são fusões e aquisições e como elas podem ser estratégias valiosas para as empresas quando bem fundamentadas!
O que é M&A?
M&A é uma sigla para identificar as operações societárias mais praticadas no mercado corporativo: fusões e aquisições. M vem de Mergers (Fusões); e A, de Acquisitions (Aquisições).
Essas operações não se limitam a grandes empresas ou a empresas maiores que compram empresas de menor porte — pequenas e médias empresas também podem usar essa estratégia para consolidar suas imagens no mercado ou atrair talentos que farão a diferença em médio e a longo prazo.
Um bom exemplo de M&A foi a fusão do Itaú e do Unibanco. Foi uma relevante fusão da história do Brasil, pois dela surgiu o Itaú Unibanco: a maior organização financeira da América Latina e o maior banco privado brasileiro.
Quais são as diferenças entre fusões e aquisições?
Na fusão, duas empresas se unem para formar um novo negócio, uma nova empresa, uma nova constituição jurídica, com um novo CNPJ.
Conforme a Lei das Sociedades Anônimas (Lei nº 6.404/1976) dispõe em seu artigo 228: “Fusão é a operação pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucederá em todos os direitos e obrigações”.
Na aquisição, uma empresa adquire outra, seja total, seja parcialmente, e as duas ficam separadas juridicamente, cada uma com seu próprio CNPJ.
Conforme o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a aquisição acontece quando “um agente econômico adquire o controle ou parcela substancial da participação acionária de outro agente econômico”.
Como funcionam os processos de M&A?
Para investir em fusões e aquisições, é necessário conhecer a fundo o mercado em que a empresa está inserida e, em seguida, desenvolver uma estratégia clara e objetiva.
Os processos de M&A apresentam diferentes particularidades e formas conforme a intenção das empresas participantes.
O êxito de uma operação de fusão ou de aquisição depende da experiência do agente comprador na identificação, na análise e na efetivação do negócio.
Existem sete etapas básicas a seguir:
- desenvolvimento do plano de execução: é preciso definir objetivos, identificar produtos e tecnologias almejados, bem como ampliar o conhecimento sobre a empresa visada, definindo prazos e pessoas;
- avaliação da empresa: é essencial avaliar a situação financeira da empresa, concentrando-se em pontos como receitas e custos, volume de vendas, balanços, riscos e vantagens da aquisição/fusão;
- valuation: nessa etapa, estima-se o valor da empresa de modo sistematizado, baseando-se em um modelo quantitativo;
- tomada de decisão: considerando a avaliação feita, as vantagens e as desvantagens do negócio, é necessário uma decisão;
- negociação e estruturação: os envolvidos devem acordar sobre o preço e a forma da transação;
- execução de due diligence*: assim que aceitarem a proposta, o gestor da empresa adquirente deve realizar uma revisão ampla de due diligence da outra organização para entender todas as questões, riscos e oportunidades;
- conclusão: chegamos à etapa de ajustes finais e, caso seja preciso, alguns termos são negociados; para finalizar, é redigido um contrato de compra que deve ser assinado — e a operação já pode ser divulgada no mercado.
- O Due Diligence é um processo detalhado de análise e avaliação de informações e documentos de diversos setores dentro da mesma empresa. Trata-se de um procedimento fundamental para se concretizar novos negócios, sendo um caminho para que gestores, investidores e outras companhias avaliem os riscos financeiros de uma nova parceria.
Quais são os tipos de M&A?
Há diferentes tipos de M&A. Eles variam conforme o negócio fechado e o ramo em que cada empresa atua. Os principais tipos de fusões e aquisições são:
Horizontal
M&A horizontal se realiza entre empresas que atuam no mesmo segmento e vendem o mesmo tipo de serviço ou produto. Assim, duas empresas concorrentes se fundem ou uma delas faz a aquisição da outra.
É um tipo de M&A utilizado para melhorar o market share das empresas, pois a combinação de duas organizações do mesmo segmento melhora a competitividade perante a concorrência.
É um processo mais fácil, considerando que as empresas contam com públicos afins e experiências semelhantes.
Vertical
Nesse caso, as empresas integram a mesma cadeia de produção, mas em etapas diferentes. Por exemplo, uma empresa compra um de seus fornecedores, fazendo com que as negociações de insumos fiquem mais fáceis. No tipo vertical, ainda há duas modalidades de M&A:
- forward: a transação se dá entre empresas que trabalham com a venda final do produto para o cliente;
- backward: a transação ocorre entre empresas que compõem a base de produção e o fornecimento dos serviços/produtos.
Conglomerado
O conglomerado ocorre quando empresas de ramos diferentes e indústrias fazem operações de fusões e aquisições. É uma estratégia comum em grandes corporações que desejam diminuir seus riscos de mercado, aumentando sua influência. As empresas podem fazer parte de um mesmo segmento ou atuarem em ramos totalmente diferentes.
Complementar
Nesse caso, as operações se efetivam entre empresas que vendem serviços ou produtos complementares. Como exemplo, citaremos uma fábrica de eletrodomésticos que se funde a uma empresa que presta serviços de manutenção em eletrodomésticos.
Extensão
Nesse caso, a empresa se funde ou adquire outra que comercializa os mesmos bens ou serviços, mas para públicos distintos.
Como exemplo, citamos uma empresa que fabrica smartphones para as classes A e B e que, para ampliar seu mercado, adquire uma empresa que fabrica smartphones para a classe C. É um tipo de M&A horizontal, mas focado no alcance de outros públicos, de outros nichos do mercado.
Quais são os motivos para realizar fusões e aquisições?
Há uma diversidade de motivos para realizar M&A. Falaremos sobre os motivos mais comuns que levam as empresas a recorrer a essas operações:
- estratégia de marca: para proteger ou melhorar o market share, de consolidar sua imagem no mercado, de reposicionar a marca e assim por diante;
- redução de custos: pois as operações de M&A costumam deixar os negócios mais enxutos, eliminando desperdícios;
- melhoria dos processos: aumenta o patrimônio físico (bens móveis e imóveis), humano (colaboradores talentosos com diferentes conhecimentos) e tecnológico (máquinas, sistemas de gestão);
- diversificação de mercado: as empresas envolvidas expandem sua área de atuação e alcançam um público mais vasto;
- aquisição de novos serviços e produtos: introdução a novos mercados;
- redução de riscos de mercado: as empresas melhoram sua competitividade, ganham maior participação e encaram os desafios do mercado com maior resiliência;
- aumento da receita: resultante da expansão da empresa e do público-alvo;
- sobrevivência: operações de M&A são usadas para sobreviver em um mercado conturbado, como durante a crise econômica global de 2008 a 2012, quando bancos se fundiram para evitar a falência.
Para encerrar, ressaltamos a importância de uma boa gestão societária em M&A, principalmente por meio de um sistema de gestão avançado que otimize os processos.
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